Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]





Sai um parque, entra o comércio

por Virgilio Alves, em 28.06.13

Deverá a questão do parque de estacionamento nas traseiras da Câmara Municipal ficar condenada a ser um assunto mal resolvido para a posteridade? Sabemos que o “investimento” está feito e nada alterará isso, porém, pensando mais profundamente e, indo enveredando por caminhos não tão canónicos, estarão esgotadas todas as opções viáveis para a resolução desse problema?

 

Até agora o debate que se tem centrado em torno desse parque roda em torno do que se fez, do que se devia ter feito ou não e de como se deverá proceder para minimizar o impacto que tal decisão trouxe aos cofres da autarquia, porém, esse debate é conduzido com uma premissa inalienável que é a de que a estrutura deverá ser isso mesmo, um parque de estacionamento.

 

O que proponho é que se alargue os horizontes e se equacione alguma outra utilização, dito isto, alguém já pensou que, talvez a resolução para esse problema possa não passar pela manutenção dum parque de estacionamento? Penso que a ideia não será assim tão descabida, afinal de contas, qualquer estrutura pode ser modificada para albergar outra coisa do que o originalmente definido. Ora se, de facto, este parque assim como o do Estádio Municipal são deficitários, então dever-se-ia colocar em cima da mesa outras alternativas que passem por terminar com a actividade do parque atrás da Câmara Municipal.

 

Situando-nos, o parque fica localizado bem no centro histórico, cujos acessos não são os melhores, aliás sendo até confusos para quem não é de Tomar, a entrada pela Rua do Pé da Costa de Cima e saída para a Praça da República seguindo pela Rua de São João ou Rua Infantaria 15 tornam a situação um pouco complicada para re-encontrar o caminho para as vias de acesso a Tomar, N-110, N-113. Assim, de facto, por esta e outras mais razões, o parque atrás da Câmara Municipal foi uma completa asneira.

 

Mas não vou alongar-me sobre a condenatória de tal decisão, a estrutura está lá e, por exemplo, enquanto perdurar não se poderá fechar completamente o centro histórico ao trânsito, assim equacionando a ideia de fechar o parque o que fazer com a estrutura? Então, se realmente se quiser humanizar o centro histórico trazendo-lhe vida e actividade é necessário que o mesmo exerce factores de atractividade, isto passa por uma série de acções, que as venho especificando nos artigos anteriores, em resumo, uma actividade cultural e comércio tradicional deitando o olho ao turismo, é preciso “obrigar” os visitantes a virem ao centro histórico e se há coisas que o turista gosta de ver, aprecia e tem desejo de levar consigo são os produtos regionais, artesanato, os brindes e lembranças.

 

É aqui que pode entrar uma nova alternativa para a estrutura do parque, convertê-la num espaço de mostra de e venda de produtos locais, já que está mesmo no meio do centro histórico e em lugar privilegiado conta inclusivamente com um espaço de cafetaria já concebido e não existe nada do género a não ser algumas poucas lojas isoladas.

 

A estrutura existe, seria necessário modificar, o que implica abrir monstras e melhorar um ou outro acesso na fachada exterior e quanto ao problema do estacionamento, em verdade, não há falta de estacionamento nas proximidades, excepto às quintas-feiras e sextas-feiras devido à morosa temporária situação do Mercado Municipal que empurra os feirantes para os parques de Santa Iria e em frente aos Bombeiros. Porém, ainda que tal se justifique, há inúmeras outras localizações para futuros parques de estacionamento, menos onerosas e muitíssimo mais eficientes que a que no passado foi planeada. De resto convém não esquecer que o futuro das cidades passa muita mais pela libertação de tráfego e implementação do transporte colectivo do que pela “automobilização” dos centros urbanos.

 

Quanto ao futuro espaço, o mesmo deveria ser implementado numa lógica económica de, preferencialmente, iniciativa privada, o que não implica que possa ser o Município a explorá-lo comercialmente, no fim deverá ficar salvaguardado pagamento de parte de dívida do município com a ParqT no que, exclusivamente, há construção do parque diz respeito, sendo inaceitável tentar fazer passar para futuros investidores a resolução dum problema causado pela má gestão do processo por parte da Câmara Municipal de Tomar.

 

Termino referindo uma vantagem para os cofres da autarquia, o fecho do Parque poupará milhares de euros ao ano pelo simples facto de que as receitas do parque de estacionamento não cobrem as despesas e só por isso já seria uma óptima razão para acabar de vez e pela raiz com essa asneira monumental que foi a construção desse parque.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:14




calendário

Junho 2013

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2008
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2007
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2006
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D