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Mais Thomar - Prefácio

por Virgilio Alves, em 24.01.12
Mais Thomar

    Os acontecimentos recentes que ocorreram em Tomar são um indicativo do mudança no paradigma da nossa sociedade, após longo período de total alheamento das populações da política e dos centros decisórios respira-se nos últimos meses a um crescendo de preocupação com o futuro das infra-estruturas que mais falta fazem às populações e, se no mundo falamos da liberdade e da emancipação do povo árabe contra as ditaduras perpetuadas no tempo, concretamente no nosso concelho, que aqui mesmo no centro de Portugal tem sua morada, assistimos à tomada de posições dos tomarense para com a temática do Hospital de Tomar e contra a reestruturação do Centro Hospitalar do Médio Tejo. Ainda bem que a população não está totalmente cega se bem que tardiamente começa a sair à rua, louva-se portanto tal acto, condena-se o facto de não se começar a agir mais prontamente e contra todos os males do concelho, mas como diz o adágio popular, mais vale tare do que nunca.

Escrevia eu em 23 de Julho de 2008 , acerca da queda da industria e da falta de investimento industrial e turístico e sobre a falta de política sobre as acessibilidades, que o concelho entrava numa “nova era de latência, falta de produtividade e de competitividade, não mais se vêm grandes unidades industriais, grandes empresas, e grandes armazéns, os caminhos-de-ferro de mercadorias definham e o concelho perde-se no Ribatejo” e com isso “outros concelhos adquirem mais pujança e Tomar entra em queda a pique na nova hierarquia das cidades portuguesas. Contudo não se deve perder a esperança de salvar esta localidade com oito séculos, mas infelizmente as opções tomadas pelos sucessivos executivos camarários lograram-se insuficientes ou pior do que isso erradas e prejudiciais, a fixação em Tomar é difícil uma vez que os preços praticados e os impostos camarários são dos mais altos da região e a somar a isso assiste-se ao definhamento da indústria e ao fraco teor do sector terciário, exceptua-se ainda um bom nível de educação, mas ante isto qual é a perspectiva de um jovem, obviamente é a de sair e procurar emprego e habitação mais barata, num outro concelho.

De tal forma que Tomar nunca poderia almejar progredir nem competir com os concelhos limítrofes enquanto a nível interno era “necessário iniciar imediatamente um plano de regeneração das contas camarárias e prevenir o seu endividamento” e “iniciar importantes transformações no concelho com vista à sua modernização.” Porém, hoje volvidos quase quatro anos nada foi feito e a concelho foi agonizando cada vez mais graças à falta de capacidade dos executivos PSD em liderar a Câmara Municipal de Tomar, como de resto referi em 17 de Janeiro de 2009  onde escrevi que “esta pacata e notável cidade, tão notável que que foi a primeira no distrito a receber o estatuto de cidade. Uma das primeiras industrializadas e a receber a electricidade ainda que não totalmente. Envolta em misticismo, ainda que as suas gentes o não saibam reconhecer nem respirar a história que está incrustada nas muralhas do castelo nos contrafortes da Charola do Convento de Cristo, nas paredes dos velhos palácios e das casas antigas, no traçado do centro histórico, enfim, na envolvente de Tomar como uma cidade medieval, que só agora timidamente se abre ao mundo do século XXI. Mas ainda falta muito para que Tomar seja uma cidade moderna, não o é e, a demonstrar isso estão os fracos serviços existentes na cidade.” Os restantes anos vieram a constatar isso mesmo:
   “É pena, pois tinha grande potencial para ser uma cidade cosmopolita, balanceando entre a mística templária que repousa sobranceira ao castelo e a indústria irrompendo das águas do Nabão, sim tinha tudo para ser uma cidade melhor e em avançado estado de progresso. Talvez pudesse existir se atempadamente a cidade tentasse percorrer o caminho certo, mas poderia hoje existir mesmo um Distrito de Tomar ao invés de Santarém. Mas a desgraça que se abateu sobre esta pacata vila medieval foi a soberba e a arrogância das gentes das classe média-alta que tomaram a cidade como sua, e que a não fortalecendo preferindo uma vida tipicamente medieval, os senhores de Tomar. Como tal hoje a cidade sucumbe a essa mentalidade elitista que só empurraram Tomar para baixo.” Pois que existem senhores que actuam como se fosse donos da Câmara, outros há que actuam como se fossem os donos da Cidade e tudo isso se resume em determinar que “A culpa em grande parte é daqueles senhores e senhoras, os que se dizem de boas famílias (se é que isso tem significância) que arrastaram a cidade para a queda e hoje as cidades da população, sem essa massa elitista arrogante, estão a ultrapassar Tomar a olhos vistos.” É por esta razão que devo felicitar os tomarenses por terem saído à rua mostrando o seu descontentamento e, invoco-os a tomarem o mesmo procedimento contra todos os tipos de actos de gestão autárquica danosa e lesiva dos interesses da população e do concelho em todos os domínios e competências da Câmara Municipal e, acima de tudo, desafio os tomarenses a transcreverem nas urnas o descontentamento espelhado nesta semana.

Desafio os tomarenses a derrubarem pela força dos votos o PSD/CDS e PS porque nos tempos que correm a situação económica e social do Município de Tomar é grave e apresenta evidentes sinais de debilidade fruto do estado caótico que a Câmara Municipal de Tomar e seu executivo permitiram que se instalasse. A progressiva regressão do sector secundário e consequentemente da actividade industrial atira este município para a linha da frente do desemprego e das desigualdades sociais condenando o Concelho à estagnação e ao retrocesso. A esta situação soma-se a situação política corrente, o resultado das últimas eleições autárquicas de 2009 ditaram um enfraquecimento da maioria do Partido Social Democrata que deixa de usufruir de maioria absoluta, obviamente o reverso da medalha traduziu-se no oportunismo circunstancial que levou o Partido Socialista a impor um bloco central e a ocupar lugares no executivo municipal levando o caos ao já de si incompetente executivo camarário, para depois e, novamente, de forma oportunista se colocar de parte ante a inoperabilidade entre um PSD agarrado ao poder e um PS com ânsia de o agarrar.

Economicamente as sucessivas declarações de insolvência de várias e importantes empresas que operavam no município lançaram centenas de trabalhadores no desemprego reduzindo os seus níveis de vida e ao empobrecimento dum município que estatisticamente é rotulado com bom poder de compra mas que na realidade é um exemplo de desigualdades sociais. Esta delapidação que se evidencia tem origem no desleixo da Câmara em manter o sector industrial preferindo voltar-lhe as costas e virar-se para alternativas que a priori parecerão mais económicas, isto é, na adopção do turismo como principal vector económico. Os erros de planeamento, má gestão e despesa incontrolada e sem possibilidade de retorno levaram o Município à ruptura financeira e à mercê de um deficit que levará décadas a recuperar.

Socialmente, além do flagelo do desemprego, Tomar não oferece hoje oportunidades aos jovens que os atraiam a fixar-se e aqueles que ainda vivem cá tendem a partir em busca de novas possibilidades e carreiras fora do Concelho. Ao facto de não existir emprego soma-se o parco investimento cultural e em infra-estruturas de lazer tornando Tomar a este nível uma cidade fantasma, inanimada e incapaz de atrair visitantes em número sustentável que fomentem o comércio local e o turismo. Sobra o sector da educação que ainda vai trazendo alguma vitalidade ao Município, ainda assim, muito há a fazer principalmente no apoio ao Ensino Superior e à cooperação com o Instituto Politécnico de Tomar e ao fomento da cooperação entre este e as empresas da região actuando como potenciador de criação de quadros altos no concelho, criação de empregos, valor acrescentado e empreendedorismo.
 
Politicamente o Concelho de Tomar tem sido governado sucessivamente pelas maiorias do Partido Social Democrata, a maior parte dos mandatos beneficiando de maioria absoluta que lhe permitia tomar decisões independentemente das restantes forças políticas, ao longo de doze anos ficou marcado no Município a passagem dos executivos sociais-
-democratas, essa marca, porém e infelizmente, revelaram-se péssimas e cada vez mais perigosas para o Concelho, analisando o passado desses três mandatos percebe-se que, há medida que vamos caminhando em direcção à actualidade, esses executivos têm compulsivamente sendo mais nefastos para Tomar, condicionando inicialmente o seu desenvolvimento, travando-o mesmo no presente e cada vez mais comprometendo negativamente o futuro.

Agora mais do que nunca é necessário derrubar este executivo e apresentar à população tomarense propostas concretas, necessárias e austeras, com vista à resolução dos problemas do concelho que apresentam hoje uma magnitude alarmante, só se resolvendo tomando uma política rigorosíssima em relação à contenção austera da despesa diminuindo-a para níveis aceitáveis visando alcançar a resolução dos problemas financeiros, da dívida pública e, finalmente, conseguir uma câmara sustentável. Tais medidas são tão necessárias como difíceis mas o tempo urge e, quanto mais se adiar, mais morosa será a recuperação e saneamento financeiro. Tendo como princípio que só uma câmara financeiramente estável pode almejar progredir e fomentar o avanço económico, reside a premissa de que é necessário controlar rapidamente a balança desfavorável e conter os gastos inúteis e desnecessários.

Basicamente um concelho que não produz não poderá garantir as condições necessárias aos seus munícipes e todos os melhoramentos necessários deverão ser compensados pelos ganhos directos, ganhos esses que advém da política económica seguida e do fomento da produção de bens e serviços no seio do Município.

Para se poder ser uma alternativa credível e viável é necessário proceder à planificação das directivas que regerão toda a actividade, desde os moldes de actuação aos projectos, ideias e políticas a apresentar, estes últimos com marcada importância. E, se é necessário ter boas políticas, estas não poderão ser aplicadas se não for do conhecimento do público, uma vez que em eleição serão julgadas as propostas das várias forças políticas.

Neste documento estão descritas e planificadas as actividades vitais a desenvolver e principalmente a apresentação da política geral a adoptar a curto prazo no plano operacional e médio e longo prazo no plano estrutural, isto é, a base de actuação para o próximo mandato e aa visão geral estratégica para os futuros mandatos.

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publicado às 19:55




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