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Economia Municipal - Uma realidade sem prioridade

por Virgilio Alves, em 11.01.12

O orçamento e plano da Câmara de Tomar para 2012 foram reprovados com os votos contra do PS e Independentes por Tomar. Só votaram a favor os dois eleitos do PSD, Carlos Carrão e Rosário Simões. O presidente da Câmara, Corvêlo de Sousa, não participou na reunião de hoje por estar de baixa.


Lia-se no dia 12 de Dezembro do ano passado, no Jornal O Templário sobre o chumbo do principal documento de gestão do município para o ano de 2012, para uma semana mais tarde se ler o título “Tensão na Câmara e Assembleia Municipal”, desta vez pelo segundo chumbo do referido documento, PS, IpT, PCP, PS e BE voltariam a dar chumbo ao Orçamento Camarário. No topo das causas está o caso do Parque de Estacionamento construído atrás do edifício dos Paços do Concelho, a única diferença, diga-se de passagem, foi a mudança de posição dos centristas, que tendo votado contrários ao documento na primeira votação, decidiram-se pela sua concordância em sede de nova votação.

A qualquer munícipe parece-lhe, ou pelo menos devia parecer-lhe, que tal situação é no mínimo preocupante, não estamos a falar de pontuais derrapagens nas finanças públicas da autarquia, falamos claro do resultado da política económica dominante nos últimos mandatos autárquicos em Tomar, ou melhor dito, na falta de política económico-financeira emanada da corrente dominante, a social-democrata.


Com efeito, a destruição do tecido industrial, refira-se que Tomar, foi uma das cidades a arrancar o processo da revolução industrial em Portugal, donde a antiga Real Fábrica de Fiação é o exemplo que sobreviveu até aos nossos dias e, ao longo dos séculos XVIII XIX e primeira metade do século XX, foi sede de uma região industrial marcadamente importante no país, mais concretamente na região centro e distrito de Santarém, predominantemente no sector da produção e transformação da pasta de papel e sem esquecer o Império à escala, se não ibérica, pelo menos, nacional que foi o Grupo Fábricas Mendes Godinho. É natural que o definhamento industrial produzisse um enorme deficit social e económico, afinal falamos de dois séculos de contínua e pujante actividade industrial, porém, alterações na geografia económica exterior e demográfica no plano interno levaram a que as bases da actividade industrial em Tomar tivessem que ser alteradas, porém nas décadas de oitenta e noventa, a Câmara Municipal tentava-se modernizar no novo paradigma social, influência dos governos centrais, principais partidos, (PS e PSD) e, não menos importante a entrada de Portugal na EU.


Os executivos camarários resolveram de um momento para o outro alterar o que era a postura económica de Tomar até então, desprezar o sector secundário e apontar as miras ao sector terciário, mais concretamente ao Turismo. É certo pensar nessa lógica, tanto mais que a região é fértil nas potencialidades turísticas, se bem feitos os investimentos necessários e fundamentalmente cirúrgicos, a região centro e Tomar poderiam estar neste momento a competir com destinos históricos ao nível europeu no sector do turismo.


Era possível, e ainda hoje continua a ser uma opção mais do que válida a seguir, só que a as edilidades pensaram que essa transição se daria de forma automática, como mandam as regras da concorrência perfeita, no fundo, o que se queria era protagonismo fácil, as obras apareceriam e o PSD ficaria com os louros, mas é claro que essa passividade não levaria a lado nenhum, por um lado, o turismo não se desenvolveu, por outro lado, a industria não foi preservada e gradualmente desapareceu e, ainda hoje continua a desaparecer a réstia que resistira.


No final da década de noventa, Tomar mudara radicalmente e com consequências futuras gravíssimas, socialmente ficou a força produtiva, o factor trabalho fortemente afecto ao sector secundário, desempregado e condenado a mudar à força devidos às exigências laboriais em mudança, o sector secundário como grande empregador havia desaparecido, lentamente o sector terciário ia ocupando o imenso vazio deixado pelas grandes industrias como a Mendes Godinho, Fiação, Porto de Cavaleiros entre tantas outras. Isso acarretou e acarreta ainda custos para o município e para o estado, as insolvências, o desemprego, a necessidade de aprender novas áreas do saber, etc. O salvador económico tardava em aparecer, a Câmara continuava à espera do turismo, porém, sem políticas, planos ou qualquer visão a longo prazo, o turismo como capital potenciador da economia local nunca chegou.


A somar à total falta de guia económico, Tomar entra no novo milénio totalmente desorganizada e, em época de declínio económico a nível nacional, a falta de conseguir atrair investimento em qualquer área, o concelho entra na fase última ante a perspectiva de declínio social e demográfico que se avizinha num futuro próximo, a balança financeira cronicamente deficitária tenderia a desequilibrar-se ainda mais.
Nesta segunda década do novo século, que atravessamos, traz-nos um cenário negro, sem qualquer perspectiva de recuperação, deficit social, económico, político e moral, numa palavra, um deficit civilizacional. Só ainda sustentado pela área do ensino, donde o Instituto Politécnico de Tomar é o último bastião do que a alguma positiva em Tomar se pode referir. A Câmara não governa nem deixa governar, as principais forças políticas continuam a tentar perpetuar-se no poder ao invés de procurar um solução com carácter de urgência, as negociatas sucedem-se. A confusão é total.


Mas se por um lado é verdade que a Câmara é inoperativa e pior, é estanque, vivendo numa redoma separada da realidade, onde os jogos políticos se sucedem, também é verdade que tudo isto acontece com o beneplácito do povo do concelho, inerte e, perigosamente ultraconservador, insensível e avesso à mudança, ainda subsiste uma franja daqueles que ainda julgam que Tomar é a vanguarda do Distrito, nunca chegando a tomar consciência que essa tendência para o elitismo só fez afundar e arruinar esta cidade e tudo o que à volta dela girava.
Sucedem-se os casos de má gestão, o caso da ParqueT, dos imóveis pertença da Câmara devolutos quando mesmo à esquina a Câmara paga renda por espaços, muito menores, as obras de fachada, mandadas construir mesmo a tempo das eleições, o clientelismo, enfim, um ambiente cravado de cunhas e amizades, onde praticamente tudo se resume a conhecimentos. Aumentam-se as taxas municipais, não se favorece o crescimento das empresas, deixa-se escapar o futuro como areia por entre os dedos, para no fundo, se perder quase três horas numa assembleia municipal para discutir como repartir cinco minutos por entre os oradores.
Ao fim e ao cabo, se não soubesse que há pessoas que querem mudar o rumo dos acontecimentos, diria que a Câmara Municipal está bem para a participação activa na vida política daqueles que os elegeram, isto é, está decadente como a cidade.

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